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Tablets e smartphones para crianças de 1 ou 2 anos

Tablets e smartphones para crianças de 1 ou 2 anos

Por: João Luís de Almeida Machado
Para crianças de 1, 2, 3 anos, que estão dando seus primeiros passos, aprendendo a falar, tendo contato com familiares e amigos, sendo estimuladas as cores, formas e tudo o que há ao seu redor, o uso de tablets e smartphones é muito prematuro.
É certo que estas tecnologias também fazem parte do entorno ao qual estas crianças estão sendo introduzidas, mas elas ainda precisam desenvolver sua coordenação motora, o que se dá pelo manuseio de brinquedos apropriados e estimulantes, em relação aos quais possam tocar, manusear, jogar, brincar, morder e tudo mais que uma criança em crescimento necessita fazer.
Tablets e smartphones estão sendo dados pelas escolas e também, diga-se de passagem, pelos pais. Na ânsia de distrair seus bebês, ao invés de brincarem com eles, fazendo com que desenvolvam a linguagem, a capacidade de se relacionar, as ações de partilha com outras crianças, o manuseio de objetos apropriados a suas respectivas faixas etárias, o amor e carinho resultantes da presença e do afeto que precisam ser a eles dedicados, muitas famílias resolvem o caso colocando celulares e tablets nas mãos das crianças.
O uso na escola, em relação ao qual já me posiciono contrário em idade pré-escolar, propondo para esta fase ações presenciais e físicas, deixando a abstração e a coordenação motora fina que estes equipamentos ensejam para outras fases, caso venha ser realizado, deve ser extremamente bem planejado e se restringir a 30 minutos ou no máximo 1 hora ao todo por semana.
As tecnologias exigem um foco, uma concentração, uma participação que não é própria destas faixas etárias da educação infantil. Por este motivo, e também pela necessidade natural que as crianças têm umas das outras e do apoio das professoras e demais profissionais que com eles trabalham, ações com tais recursos demandam controle de tempo (reduzido a 10-12 minutos no máximo por sessão ou atividade), seleção apuradíssima de aplicativos ou softwares de apoio, monitoramento/acompanhamento constante por parte dos educadores e conexão com as atividades realizadas fora do ambiente virtual, como por exemplo, se o foco são as formas geométricas, antes disso, mostrar fisicamente o que é um quadrado ou um círculo, permitindo o manuseio de peças de madeira ou plástico e, após o uso de tablets, trabalhar com massinhas ou com desenhos visando explorar o que foi aprendido.
A exposição as telas em demasia, desde tão cedo na vida de uma criança pode igualmente causar dificuldades quanto a visão, a sociabilidade e até mesmo em relação a percepção da realidade. Ainda é muito cedo, estamos na aurora, no alvorecer deste novo tempo tão tecnologicizado, se é que este termo existe, mas já sabemos de casos de crianças que tentam abrir páginas de revistas como se tivessem a sua frente um iPad ou então de dificuldades para escrever ou desenhar já que os brinquedos aos quais as crianças têm acesso em casa são computadores, tablets, smartphones, televisores inteligentes, videogames de última geração…
Telas e mais telas que se sucedem uma a outra sem que a criança em algum momento ande de bicicleta, chute uma bola, brinque com bonecas, fantasie a partir de histórias contadas pelos pais ou professores a ela, desenhe o que vê ou o que imagina em páginas brancas de um caderno de desenhos com seus lápis de cor…
Sei que isso parece anacrônico e contraditório vindo de alguém que trabalha com tecnologia e educação, mas mantenho a coerência de outros textos nos quais assumi este posicionamento, agora ainda mais preocupado com outras questões, relacionadas a privacidade, ao manuseio de informações na rede por parte de provedores de serviços variados e, mesmo do direcionamento que se impõe, via web, aos seus usuários, fazendo com que naveguem em círculos, sempre andando por locais virtuais nos quais seus padrões, escolhas e gostos sejam replicados, sem enxergar a diversidade que o mundo apresenta.
Para quem não é nativo digital ainda é possível perceber isso, mas mesmo para estes isso é invisível quando navegam na web. Para os nativos digitais, que nasceram sob a égide da internet, imaginando ser território livre, fica ainda mais difícil perceber isso. Para os bebês de 1 ano que já estão com tablets e smartphones sendo a eles oferecidos será praticamente impossível demarcar estas linhas divisórias e perceber o mundo na sua complexidade e vários ecossistemas e seres vivos que os habitam…
Fonte Planeta Educação

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