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Milhares de aplicativos podem estar roubando dados de crianças, segundo estudo

Milhares de aplicativos podem estar roubando dados de crianças, segundo estudo

Pesquisadores da Universidade da Califórnia apontaram que mais de 3 mil aplicativos estariam coletando e compartilhando dados de crianças e adolescentes nos EUA. Saiba como proteger seu filho deste risco

Depois de um grupo de proteção à infância nos EUA acusar o Youtube de coletar dados de crianças ilegalmente, pesquisadores da Universidade da Califórnia apontaram falhas de segurança em aplicativos baixados pela Play Store dos Estados Unidos. Segundo o estudo, milhares de programas poderiam estar “roubando” dados de menores de 13 anos.

Durante a pesquisa, foram analisados 5.855 aplicativos gratuitos disponíveis para download na plataforma e a conclusão foi que alguns deles poderiam estar violando a Lei de Proteção à Privacidade Online das Crianças (COPPA), em vigência nos Estados Unidos. Ao todo, 256 apps coletaram dados de geolocalização, 107 divulgaram o e-mail do usuário e 10 compartilharam o telefone pessoal cadastrado. Enquanto isso, 2.281 deles pareciam descumprir os Termos de Serviço do Google, que proibiam que os aplicativos compartilhassem dados de crianças para fins publicitários. Entre os aplicativos analisados estavam Duolingo, Minion Rush e “Where’s my water?”.

Os especialistas usaram uma plataforma que permitia acompanhar em tempo real com que frequência os aplicativos acessavam informações confidenciais e como eles retransmitiam esseas dados a outras entidades.

Segundo Rodrigo Nejm, psicólogo e diretor da Safernet Brasil, os riscos de crianças terem dados vazados são muito parecidos aos de um adulto na mesma situação. “A diferença é que a criança nem sempre tem a condição de entender com clareza qual é o destino dos dados que ela fornece digitalmente”, explica. O psicólogo também reforça que, ao entrar em contato com o meio digital desde os primeiros anos de vida, a criança começa a “deixar rastros” e traçar um perfil psicológico e de comportamento que pode trazer riscos de socialização no futuro: “O complicador aparece quando pensamos que a criança usa aplicativos desde muito pequena e não tem consciência sobre o que está acontecendo com suas informações. Isso pode levar a novas formas de discriminação e exclusão social no futuro”, diz Rodrigo.

Como proteger as crianças
Confira as dicas de Rodrigo Nejm, psicólogo e diretor da Safernet Brasil, sobre como evitar que as crianças tenham seus dados coletados por aplicativos:

1) Leia os termos de uso
Mesmo que os pais não dominem a tecnologia, é muito importante ler os termos de uso
para saber que tipos de dados ou informação o aplicativo coleta e registra. Se ler a íntegra do texto parece chato, tente ao menos acessar o resumo dele, disponível na tela inicial de download dentro das lojas de apps.

2) Verifique a recomendação etária
A partir da recomendação etária feita pelo próprio aplicativo, é possível deduzir que tipo de conteúdo vamos encontrar ao fazer o download.

3) Instale e use o aplicativo junto com o seu filho
Vai instalar um aplicativo pela primeira vez? Acesse-o junto com a criança e faça um mapeamento básico sobre como ele funciona e que tipos de interação promove.

4) Saiba quais dados o app registra
Rolo da câmera, lista de contatos, histórico de navegação… Antes de aceitar os termos de uso, procure saber quais informações o aplicativo poderá acessar.

5) Personalize as configurações de privacidade
Ao acessar o aplicativo, é possível personalizar algumas configurações de privacidade, como por exemplo, bloquear a permissão para compras e impedir que o app se conecte à internet.

Por Giovanna Forcioni – atualizada em 02/05/2018 08h35

Fonte: Crescer

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