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Alfabetização: estar familiarizado com os sons das palavras ajuda a escrita

Alfabetização: estar familiarizado com os sons das palavras ajuda a escrita

Uma pesquisa da Universidade Macquarie (Austrália) concluiu que ouvir e falar as palavras aumenta as chances de as crianças saberem escrevê-las. Isso quer dizer que quando lemos em voz alta para nossos filhos ou quando conversamos com eles, estamos também, de certa forma, ensinando-os como soletrar cada palavra.

O estudo, feito com 36 crianças entre 9 e 10 anos, usou o eye tracking, um recurso que examina por quanto tempo e em que pontos o olhar se fixa, para estabelecer a relação entre as palavras escritas e ouvidas ou faladas.Nessa faixa etária, as crianças estão no fim do ciclo de alfabetização, por isso, se espera que elas já tenham bem consolidadas as relações entre as letras e seus sons.
Na dinâmica proposta pelos especialistas, as crianças foram monitoradas por eye tracking enquanto liam uma palavra nova, inventada. Aquelas que já haviam ouvido essas palavras demoraram menos tempo encarando as letras e tiveram mais facilidade para ler do que as crianças que ainda não haviam entrado em contato com a forma oral das palavras.

Para a neuropsicóloga Deborah Moss, especialista em desenvolvimento pela USP, a pesquisa faz sentido especialmente se aplicarmos as conclusões à realidade brasileira. “O jeito como você aprende a palavra, quando a ouve, é o jeito como você vai escrevê-la. No Brasil, muitas vezes as pessoas escrevem as palavras exatamente da forma como as pronunciam, o que é natural”, explica.

Ela lembra que o processo de consolidação da linguagem no cérebro é complexo e envolve não apenas habilidades auditivas, como também áreas ligadas à visão e à memória. “O auditivo é um fator primordial na assimilação da linguagem. A quanto mais palavras as crianças forem expostas, maior será seu repertório, tanto na escrita como na fala”, explica. Por isso, converse com seu filho, leia para ele e não tenha medo de desafiá-lo com palavras que ele ainda não conhece – é só manter um dicionário por perto!

Fonte: crescer.com.br

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