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Ajude seu filho a escapar das más influências

Ajude seu filho a escapar das más influências

Não espere a adolescência para pensar em “más influências”.

Conversei com uma amiga, também educadora, hoje pela manhã sobre a preocupação das “más influências” – falávamos especificamente sobre drogas – dentro das escolas. E tantas coisas saíram daquela conversa que eu quis trazer esse papo para vocês.

É de cedo que estabelecemos conexões com nossos filhos e crianças que nos rodeiam. É a troca de olhar na amamentação, é o embalo calmo na hora do sono, é a coberta que vem adivinhando o frio do bebê, é o banho morno e é o amor.

Sim, são nessas experiências que começam nossos primeiros passos precavendo más influências. Essas experiências trazem para aquela criança um profundo sentimento de segurança, de confiança na vida, de confianças nas possibilidades que a cercam.

Em seguida a criança começa a andar, amparamos os primeiros passos, seguramos a nossa respiração e acolhemos o choro dos primeiros tombos. Rimos e aplaudimos as primeiras tentativas, encorajamos, oferecemos nossas mãos para que eles consigam se equilibrar. Estamos mostrando pros nossos filhos e para as nossas crianças que estamos ali para eles.

Sem percebermos vem o primeiro tapa, bem na nossa cara quando dissemos aquele não para o dedo na tomada. E então, de forma muito assertiva nós conversamos sobre limites, sobre o respeito pelo outro e que não queremos que aquilo aconteça de novo. E sem perceber, mostramos que a vida nos frustra, e que a agressividade só fere o outro. Eu preciso de outras formas pra manifestar o que sinto.

Na fase seguinte, somos obrigados a tirar tudo do alcance. Tudo vai para o chão, coisas jogadas, cansaço, sono acumulado, fadiga e a falta daquele banho longo. O choro vem, as lágrimas aparecem. Não escondemos! Explicamos nossa tristeza “Mamãe/Papai está cansad@, está triste.” Buscamos apoio. Nossas crianças entendem que é preciso nomear sentimentos e buscar ajuda sempre que preciso, e não há vergonha nisso.

Então as primeiras “vergonhas” aparecem, e nossos filhos querem o tempo e espaço deles. A vergonha de ser deixado na frente da escola, do amigo, da amiga e do ar que respiram. E quando nós entendemos, temos paciência, mostrando que estamos ali e perguntando sempre se precisam de nós, eles encontram o próprio valor e a amor próprio.

E se chegamos até aqui, já criamos todos os pilares pra uma relação respeitosa, honesta e tranquila. A adolescência é construída muito antes dela mesma.

A maioria das crianças que cai na armadilha do uso das drogas, ou sob o que muitas vezes chamamos de “más influências”, encontra alguns fatores propulsores: falta de respeito pela vida, pela dignidade e bom desenvolvimento da criança, infâncias violentas, abusos, falta de educação, falta de afeto e amor.

Não foi novidade? Então eu vou contar outros fatores, que esquecemos de considerar: terceirização das nossas crianças pra qualquer adulto disponível “no mercado”, abandono afetivo, falta de afeto/amor, desencontro e desconhecimento de si mesmo. Falta de habilidade de se socializar, falta de habilidade de comunicar os próprios limites e sentimentos.

Qualquer coisa que nos traga o sentimento de impotencia, se não temos uma estrutura construída que nos leve a crer em nós mesmos e no mundo, nos faz querer fugir. Que seria do álcool, do cigarro, do açucar se não fossem eles nossas “fugas permitidas”? Qual a melhor fuga que não a droga, por exemplo? A adrenalina de cometer algum crime qualquer?

Se há equidade social, se as condições básicas de dignidade de vida foram garantidas, e se os pilares da psique foram bem estruturados, você está no caminho certo. Escape da punição! Punição só afeta seu filho de modo que ele acredite que não pode errar, ou que se errar você não pode descobrir.

E quando a fase “da influência” chegar, verão que ela é como qualquer fase. Autoridade, respeito, acolhimento, amizade e amor entre pais e filhos sanam qualquer angústia e compoe a estrada opcional para os adolescentes postos em confronto com escolhas de vida.

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