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Só 6% das crianças rejeitam legumes na alimentação

Só 6% das crianças rejeitam legumes na alimentação

Dado foi revelado em pesquisa exclusiva, realizada pela CRESCER. De acordo com pais, apenas 10% recusam verduras. Acontece na sua casa? Veja 4 dicas para melhorar a situação e saiba quando ela pode se tornar, de fato, uma preocupação mais séria
eu filho é chato para comer? CRESCER fez uma pesquisa inédita e revelou que as famílias seguem boa parte das recomendações dos pediatras e nutricionistas, da amamentação à introdução alimentar. Mas, sim, ainda há o que melhorar. Com o objetivo de conhecer os hábitos e as preferências alimentares das crianças, perguntamos a 3.688 pais e mães de crianças de 0 a 8 anos que respondessem ao questionário, realizado com o apoio do Núcleo de Pesquisa da Editora Globo (RJ). Em um dos pontos, foi revelado que o número de crianças que rejeita verduras é baixo: 10%. Os legumes são recusados por apenas 6%.

Além disso, certos alimentos ultraprocessados que costumam agradar aos pequenos não fazem parte do cardápio dessas crianças, visto que 76% dos leitores responderam que o filho não tem o hábito de consumir salgadinhos, e 77% que ele não come alimentos congelados.
Marina, 2, faz parte desse grupo. “Sempre a incentivamos a comer de tudo o que comemos, priorizando os preparos naturais”, conta a mãe, a jornalista Fernanda Gaioti, 37. No entanto, se o seu filho faz cara feia para certas comidas, tudo bem. Essa rejeição é normal na infância: dos 2 aos 5 anos, período em que ganham mais autonomia, muitas crianças têm medo de experimentar novos alimentos, a chamada neofobia. “Ela cresceu e está mostrando suas vontades”, diz a fonoaudióloga Patrícia Junqueira, autora do livro Por Que Meu Filho Não Quer Comer? Uma Visão Além da Boca e do Estômago (Editora Idea). Aqui, a maneira como a família encara a situação interfere e muito. Veja algumas atitudes para o pequeno comer mais (se for preciso mesmo) e melhor.

  1. Ofereça várias vezes

O mesmo alimento deve ser oferecido para a criança ao menos dez vezes, para os pais terem certeza de que ela não gosta dele. E está tudo bem em não ser fã de um ou outro, desde que ela não recuse um grupo inteiro (por exemplo, não comer nada de frutas). “Mais importante do que se prender a esse número é observar a criança no dia a dia para perceber suas preferências”, diz Patrícia.

  1. Mude a receita
    Ele não quer cenoura crua? “Tente preparar um suflê, misturar ao arroz, fazer um bolo…”, diz a nutricionista Elaine de Pádua. Também vale deixar a criança “explorar” a comida: pegar, cheirar, levar à boca. Aos poucos, ela vai querer prová-la. Pela mesma razão, leve o seu filho à feira (ou ao sacolão), para conhecer um “universo” de sabores.

  2. Evite substituir por leite
    Outro hábito que parece estar caindo em desuso: apenas 10% oferece leite (ou derivado) quando o filho recusa o prato de comida. E eles têm razão. “Se a criança percebe que vai ter o que quer sempre, não tem por que se esforçar para provar coisas novas”, alerta a nutricionista Paola Preusse. Outro cuidado é evitar exageros nos lanches: ao beliscar a tarde toda, ela não terá fome no jantar!

  3. Respeite a saciedade dele
    Aquela recomendação de raspar o prato também é coisa do passado. O motivo é fácil de entender: dessa forma, a criança não aprende a reconhecer a própria saciedade, o que mais adiante pode até causar distúrbios alimentares. Por isso, o tamanho da porção depende da fome do seu filho. “Nem sempre o que achamos ser o ideal é o que ele vai conseguir comer”, explica Patrícia. Mas os pais podem e devem aprimorar o cardápio aos poucos. “Você não vai oferecer o mesmo brinquedo da época em que ele era bebê. Com a comida é assim também”, resume.

A dona de casa Barbara Bertin, 34, fez tudo isso e, mesmo assim, não teve sucesso com o filho mais velho, Breno, 6. “Ele se tornou muito seletivo depois dos 2 anos. E olha que, além de eu cozinhar bem, salgadinhos e guloseimas quase não entram na minha casa”, diz ela, que também é mãe de Lorenzo, 3, e Penélope, 1. Para evitar que a recusa do garoto interfira na saúde, a mãe confessa que, às vezes, o obriga a comer um pouco mais. “Mesmo que ele esteja crescendo normalmente, fico preocupada”, desabafa.

A saída, em casos com essas características, é buscar o apoio de uma equipe multidisciplinar (com fonoaudiólogo, psicólogo, nutricionista) para descobrir a origem do problema – que pode estar associado, por exemplo, às áreas sensoriais e motoras envolvidas no ato de comer. “Quanto antes, melhor. Eles vão fazer os ajustes necessários e, assim, evitar que a seletividade gere um trauma na criança – e nos pais”, explica Paola. Tudo para ela crescer feliz e saudável.

Quando a recusa vira doença
Existem alguns sinais que mostram que a relação da criança com a comida vai além do comportamento e dos hábitos alimentares. Se o seu filho apresenta alguma dessas características, busque ajuda especialista:

  • Come pouca variedade de alimentos (menos de 20 itens);

  • Recusa categorias inteiras de alimentos, seja pela textura, aparência, sabor ou temperatura;

  • Foge, briga, sente medo ou náusea diante do prato;

  • Muitas vezes se alimenta em local diferente do resto da família;

  • Não aceita os poucos alimentos de que gosta quando eles são preparados de maneira diferentes da que ela está habituada.

Fonte: Patrícia Junqueira, autora de Por que meu filho não quer comer? Uma visão além da boca e do estômago (Editora Idea)

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