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Cristianismo: uma religião de ressurreição de Páscoa Cristã

Cristianismo: uma religião de ressurreição de Páscoa Cristã

O processo natural que Deus estabeleceu, em parte pela criação e em parte pelo juízo, é nascimento, crescimento, declínio, morte e decomposição. Este é o ciclo da natureza. Ele inclui os seres humanos: “Porque você é pó, e ao pó voltará”.1 O próprio conceito de ressurreição é, portanto, sobrenatural.

No caso de Cristo, o processo natural de decomposição física foi além de detido e anulado: foi superado. Em vez de se dissolver em pó, seu corpo foi transformado em um novo e glorioso instrumento para sua alma. Na verdade, o Novo Testamento apresenta a ressurreição de Jesus como a manifestação máxima do poder sobrenatural de Deus. A oração de Paulo pelos cristãos de Éfeso era para que os olhos do coração deles fossem iluminados, a fim de conhecerem a incomparável grandeza do poder de Deus, o poder que “ele exerceu em Cristo, ressuscitando-o dos mortos […]”.2

O cristianismo é, em sua essência, uma religião de ressurreição. Este conceito é central para ele. Se for removido, destruímos o cristianismo. Deixe-me mostrar o que quero dizer. O Novo Testamento fala de pelo menos três ressurreições distintas.

Primeiro, a ressurreição de Cristo. 35 horas após a morte, sua alma (que estivera no Hades, onde habitam os mortos) e seu corpo (que ficara em uma pedra no túmulo) se uniram. Ao mesmo tempo, seu corpo foi levantado. Ou seja, foi transformado no que Paulo chama de “seu corpo glorioso”3 e investido de poderes novos até então desconhecidos. Nesse corpo de ressurreição, Cristo irrompeu do túmulo, atravessou portas fechadas, apareceu aos seus discípulos, desapareceu e, finalmente, desafiando a lei da gravidade, ascendeu aos céus.

Segundo, a ressurreição do corpo. O Novo Testamento ensina que a ressurreição de Jesus apresenta a prova e o modelo de ressurreição dos nossos corpos no último dia. Assim como ele se levantou, nós nos levantaremos de fato e da mesma maneira. O apóstolo Paulo é muito claro sobre esta questão: “Assim como tivemos a imagem do homem terreno [ou seja, Adão], teremos também a imagem do homem celestial [ou seja, o Cristo]”.4 E, quando Cristo voltar, ele “transformará os nossos corpos humilhados, tornando-os semelhantes ao seu corpo glorioso”. Naquele grande dia de sua volta e de nossa ressurreição, receberemos um corpo como o dele.

Terceiro, a ressurreição dos pecadores. Ao afirmar que o cristianismo é uma religião de ressurreição, não quero dizer que os cristãos simplesmente olham lá para trás para o que aconteceu a Jesus Cristo, há dois mil anos, e esperam ansiosamente lá na frente, quando o mesmo acontecerá aos mortos. Entre essas duas ressurreições – de Cristo no passado e do corpo no futuro – uma outra está acontecendo: a presente ressurreição espiritual (embora não menos sobrenatural) dos pecadores. O próprio Jesus disse que receber a vida eterna é o mesmo que passar da morte para a vida, uma ressurreição: “Eu lhes asseguro: Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não será condenado, mas já passou da morte para a vida. Eu lhes afirmo que está chegando a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e aqueles que a ouvirem, viverão”.5 O apóstolo Paulo explicou este conceito mais adiante: “Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados […] Todavia, Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, deu-nos vida com Cristo, quando ainda estávamos mortos em transgressões – pela graça vocês são salvos. Deus nos ressuscitou com Cristo e com ele nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus […]”.6

O que é exatamente essa terceira ressurreição? É uma descrição exagerada e forçada do que acontece quando uma pessoa muda de vida? Na verdade, não. Uma ressurreição que acontece pelo poder de Deus é totalmente diferente de uma reforma feita pelo poder do esforço humano! O que o evangelho diz é que o processo conhecido como “conversão” é, na verdade, uma ressurreição dentre os mortos, uma libertação do túmulo espiritual ao qual nos levaram nossos pecados e culpa. É a dádiva de uma nova vida chamada “eterna”, vivida em comunhão com Deus, de modo que os cristãos são os que estão “vivos entre os mortos”. Significa ser resgatado da morte, ressuscitar, ser exaltado ao céu. É um milagre, um evento tão divino e sobrenatural como a ressurreição do próprio corpo. Não é contrário à natureza, mas totalmente transcendente a ela, uma vez que nenhum de nós pode se levantar da morte ou se dar uma nova vida. Uma vez retirado da morte espiritual por Deus, o cristão vive em novidade de vida. Assim, tendo “ressuscitado com Cristo”, a Bíblia diz que devemos “[procurar] as coisas que são do alto, onde Cristo está assentado à direita de Deus”.7

Essas três ressurreições são parte vital do evangelho que Paulo pregou. Também podem ser encontradas nos ensinamentos de Jesus: “É necessário que o Filho do homem […] seja morto e ressuscite no terceiro dia”.8 Da mesma forma, todo ser humano levantará no último dia. Na verdade, “que os mortos ressuscitam, já Moisés mostrou”. E, enquanto isso, “o Filho também dá vida a quem ele quer”,9 despertando com a vida eterna os que estão espiritualmente mortos por causa do pecado.

Além disso, essas três ressurreições são milagres, eventos sobrenaturais, e se devem ao poder de Deus. Portanto, foi a “incomparável grandeza do seu poder”10 que ressuscitou Cristo dentre os mortos. Paulo disse que queria experimentar cada vez mais “o poder da sua ressurreição”,11 o qual está à disposição de todos os que creem. E o mesmo “poder que o capacita a colocar todas as coisas debaixo do seu domínio”, na volta de Cristo, “transformará os nossos corpos humilhados, tornando-os semelhantes ao corpo glorioso”.12

Notas
1 – Gênesis 3.19.
2 – Efésios 1.19-20.
3 – Filipenses 3.21.
4 – 1 Coríntios 15.49.
5 – João 5.24,25.
6 – Efésios 2.1, 4-6.
7 – Colossenses 3.1.
8 – Lucas 9.22.
9 – Lucas 20.37; João 5.21.
10 – Efésios 1.19.
11 – Filipenses 3.10.
12 – Filipenses 3.21.
Trecho extraído do livro As Controvérsias de Jesus. Editora Ultimato, 2015.

Fonte: Ultimato

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