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Crianças curiosas vão melhor na escola, diz estudo

Crianças curiosas vão melhor na escola, diz estudo

Por que a grama é verde? Onde o sol cai quando se põe? Não há limites para as perguntas das crianças e não deveria haver. Segundo um estudo da Universidade de Michigan, a curiosidade pode ser determinante no aprendizado. Em testes de leitura e matemática, as crianças mais inquisitivas apresentaram melhor desempenho, e mesmo quando pertenciam a classes mais baixas, se equiparavam aos colegas mais abastados.

Para chegar a essa conclusão, foram avaliadas 6 mil crianças dos 9 meses aos 2 anos, e depois aos 5, já em idade escolar. Embora a maior curiosidade esteja sempre atrelada ao maior desempenho acadêmico, essa relação é ainda mais expressiva em crianças com baixo nível socioeconômico. “Promover a curiosidade pode ser uma maneira de combater a reconhecida lacuna de desempenho dessas crianças mais pobres”, destaca Prachi Shah, autor do estudo.

Edimara Lima, diretora da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp), defende que o aprendizado da criança está diretamente relacionado a sua capacidade de fazer perguntas. “É muito comum um aluno dizer que não entendeu nada. Agora, quando o aluno sabe dizer qual é sua dúvida, fica mais fácil atendê-lo. A criança ‘perguntadeira’, tende a ser mais culta, a buscar mais conhecimento”, explica.

Segundo a especialista, o processo de aprendizagem consiste em uma transgressão daquilo que está estabilizado. Como a criança curiosa está sempre questionando, não aceita passivamente uma narrativa, fato ou novidade. “Às vezes você lê a mesma história para duas crianças e, enquanto uma aceita tudo que está sendo contado, a outra quer saber onde fica essa floresta, por que a mãe da Maria não foi pedir ajuda no farol… Quando ela está ouvindo, está pensando e se expressando”, conta.

Partindo do princípio que a criança pequena já é naturalmente curiosa, o ambiente seria responsável por manter, incentivar ou matar essa curiosidade. “Por isso, os pais precisam valorizar e estar atento às perguntas dos filhos. Uma resposta ríspida, impaciente, que não satisfaça a curiosidade ou desqualifique uma dúvida, vai matando essa curiosidade”, afirma. “Não é que o adulto precise saber todas as respostas ou estar disponível o tempo todo. Um ‘não sei’ acompanhado de uma pesquisa, muitas vezes conjunta, ou um ‘agora estou ocupado’ e depois retomar a pergunta de fato, já basta”, diz a especialista.

Fonte: Crescer

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