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Como moldar o cérebro do seu filho para que ele seja bem-sucedido e feliz

Como moldar o cérebro do seu filho para que ele seja bem-sucedido e feliz

No recém-lançado livro “The Yes Brain”, os neurocientistas Tina Payne Bryson e Dan Siegel reúnem qualidades que consideram fundamentais para que seu filho tenha um cérebro positivo e se torne um adulto feliz. Confira a entrevista com o autor

Diante de um desafio, seja vestir a meia, seja receber um não na fila do caixa do supermercado, como seu filho reage?

a) grita
b) chora
c) se joga no chão
d) todas as anteriores

Essas respostas ruins (e comuns!) das crianças às adversidades do dia a dia são o que os neurocientistas Daniel J. Siegel (professor de Psiquiatria da Universidade da Califórnia, em Los Angeles) e Tina Payne Bryson (diretora do Centro para a Conexão), ambos nos Estados Unidos, chamam de cérebro negativo. A boa notícia é que, garantem os especialistas, podemos ensinar a nossos filhos os benefícios de aceitar em vez de apenas reagir impulsivamente aos problemas. Ou seja, em outras palavras, a ter um cérebro positivo. Essa é a proposta do recém-lançado livro The Yes Brain: How to Cultivate Courage, Curiosity, and Resilience in Your Child (O Cérebro Positivo: Como Cultivar Coragem, Curiosidade e Resiliência no seu Filho, em livre tradução do inglês).

Quando as crianças aprendem a ser receptivas – tanto nos momentos bons quanto nos ruins – conseguem lidar com os desafios de maneira mais flexível. “Elas são mais curiosas e criativas e menos preocupadas com a possibilidade de errar. Também são menos rígidas e teimosas, o que as torna melhores nos relacionamentos e mais resilientes ao enfrentar situações de estresse. Guiadas pelo cérebro positivo, elas fazem mais, aprendem mais e se tornam mais”, resumem na abertura do livro.

O segredo, segundo eles, está no desenvolvimento cerebral. E não é de hoje que os cientistas batem nessa tecla – eles são autores também de dois best-sellers da lista do jornal New York Times: O Cérebro da Criança e Disciplina sem Drama, ambos já traduzidos para 20 línguas e publicados por aqui pela editora NVersos. Um cérebro otimista consegue tudo isso porque desenvolveu de maneira eficiente as conexões neurais de uma região chamada córtex pré-frontal, que liga diferentes áreas cerebrais relacionadas às funções como memória de trabalho, raciocínio, flexibilidade de tarefas e resolução de problemas. Em contraste, o cérebro negativo seria menos integrado nessas partes e, assim, responderia de maneira mais primitiva toda vez que se sentisse ameaçado – ou seja, correndo ou brigando.

Sendo assim, para desenvolver no seu filho um cérebro positivo basta prestar atenção nele e reforçar, no dia a dia, quatro habilidades: equilíbrio, resiliência, autoconhecimento e empatia.

Confira, a seguir, a entrevista exclusiva concedida à CRESCER pela co-autora Tina Payne Bryson:

Por que entender o desenvolvimento do cérebro infantil pode facilitar a criação de nossos filhos?

Quando isso ocorre, muitos de seus comportamentos fazem mais sentido. Sendo assim, podemos ser mais eficientes em ajudá-los diante de situações difíceis, bem como a desenvolver a mente deles de modo que saibam lidar com os obstáculos no futuro. Também nos ajuda a compreender que a maneira como nós, pais, agimos faz diferença e tem impacto na forma como as conexões cerebrais de nossos filhos estão sendo realizadas.

De modo geral, o que significa ter um cérebro positivo?

Trata-se de um estado neurológico em que a pessoa se encontra aberta, receptiva e disposta a tentar coisas novas, além de ser criativa, curiosa e capaz de enfrentar desafios. É também um jeito de abordar o mundo de forma acolhedora, recebendo aos outros e a nós mesmos de braços abertos, conectados.

Equilíbrio, resiliência, autoconhecimento e empatia são os pilares para desenvolver um cérebro positivo. Por quê?

Quando Daniel e eu decidimos escrever sobre o que, de fato, significa ter sucesso, além de como podemos ajudar as crianças a construir uma bússola interna que funcione como um guia, permitindo que sejam mentalmente saudáveis e tenham relacionamentos significativos, chegamos a uma lista das qualidades que um cérebro otimista proporciona. Todas elas eram funções do córtex pré-frontal médio, e o que fizemos, então, foi resumi–las em quatro áreas. O equilíbrio vem em primeiro lugar porque resiliência, autoconhecimento e empatia só podem ser alcançados e acessados se houver estabilidade emocional.

E é mais fácil ensinar tudo isso na infância?

Sim, pela simples razão de que o cérebro é mais plástico e maleável nessa fase, uma vez que está se desenvolvendo [fazendo novas conexões]. Destaco aqui que, se protegermos demais nossos filhos, evitando que passem por experiências frustrantes e/ou tristes, estaremos dificultando o desenvolvimento dessas habilidades.

“Para onde vai a atenção, os neurônios incendeiam”, vocês escreveram no livro. Pode nos explicar de que maneira as experiências que os pais oferecem aos filhos moldam o cérebro?

Quando as células nervosas, isto é, os neurônios são estimulados ou ativados, eles crescem e se conectam, mudando a fiação [estrutura] cerebral. Sendo assim, toda vez que você ajuda uma criança a ver e se colocar no lugar do outro, por exemplo, o córtex pré-frontal médio trabalha as conexões relacionadas à empatia, o que faz com que esses circuitos se tornem mais fortes e mais preparados para ser ativados futuramente. E assim por diante.

Que ferramentas ajudam a instigar um cérebro positivo no dia a dia?

Os adultos podem ser o modelo, esforçando-se para desenvolver neles mesmos as habilidades de que falamos. No entanto, ter um cérebro positivo [seja adulto, seja criança] não se trata de dizer sim ou não, muito menos de estar feliz o tempo todo. Mostramos várias maneiras de alcançar isso no livro, como permitir que a criança erre, mostrar que é preciso dar uma pausa antes de agir e, por fim, o mais importante: acolher seu filho em um dia ruim.

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