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Ansiedade da matemática: seu filho tem medo dos números?

Ansiedade da matemática: seu filho tem medo dos números?

Você, na idade dele, também tinha? Pesquisadores britânicos resolveram investigar o que leva uma criança a ter tanto medo das contas, equações e números
Pode perguntar para qualquer criança. Dia de prova de história não se compara à semana em que é aplicado um teste de matemática. É quase um medo coletivo, um temor geral. Prova disso é um estudo publicado em 2018, que mostra que mais de três quartos (77%) das crianças, mesmo as que têm muita habilidade com os números, sentem essa ansiedade em relação à disciplina.

Pesquisadores britânicos resolveram investigar os fatores que influenciam a ansiedade entre alunos de escolas primárias e secundárias. O relatório, publicado pelo Centro de Neurociência em Educação da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, foi financiado pela Fundação Nuffield, com apoio adicional da James McDonnell Foundation. “Enquanto a ansiedade de matemática de cada criança pode ser diferente, com origens e fatores desencadeantes únicos, encontramos vários problemas comuns entre os alunos das escolas primárias e secundárias que entrevistamos”, explica Denes Szucs, do Departamento de Psicologia e principal autor do estudo.
Em uma amostra de 1.000 estudantes italianos, os pesquisadores descobriram que as meninas na escola primária e secundária tinham níveis mais altos de ansiedade de matemática e ansiedade geral. Já investigações mais detalhadas em 1.700 estudantes do Reino Unido mostraram que o sentimento geral de que a matemática era mais difícil do que outros assuntos freqüentemente contribuiu para a ansiedade da matemática, levando a uma falta ou perda de confiança.

Entre as principais razões para se sentirem ansiosos, os estudantes citaram as notas baixas ou resultados de testes e comparações negativas com colegas ou irmãos. Crianças em idade primária referiram-se a casos em que foram confundidas por diferentes métodos de ensino, enquanto os alunos secundários comentaram sobre relações interpessoais ruins. O relatório mostra também que isso cria um círculo vicioso, já que leva a um desempenho mais fraco, aumentando ainda mais a ansiedade da matemática. Portanto, a longo prazo, o estudante tende a se sair pior do que ele realmente é capaz.

Dicas para pais e professores

O relatório não se limita às causas e inclui diversas recomendações, como a necessidade de os professores estarem conscientes de que essa ansiedade afeta o desempenho em matemática. “Professores, pais, irmãos, irmãs e colegas de classe podem desempenhar um papel para deixar a criança mais ou menos ansiosa”, acrescenta o co-autor Ros McLellan, da Faculdade de Educação. “Enfrentar sua própria ansiedades pode ser o primeiro passo para ajudar seus filhos ou alunos”, orienta.

“Nossas descobertas devem ser uma preocupação real para os educadores. Devemos lidar com o problema para permitir que esses jovens parem de se sentir ansiosos em aprender matemática e dar a eles a oportunidade de florescer”, diz o autor do estudo. “Se pudermos melhorar a experiência de um aluno, poderemos ajudar a diminuir a ansiedade de matemática e isso poderá melhorar seu desempenho geral”, completa.

“A realização matemática é valiosa por si só, como uma base para muitos outros assuntos e como um importante preditor de resultados acadêmicos futuros, oportunidades de emprego e até de saúde. A ansiedade matemática pode perturbar severamente o desempenho dos alunos. Mas, importante – e surpreendentemente – esta nova pesquisa sugere que a maioria dos alunos que sofrem com a questão têm capacidade normal para compreender bem a matemática. Esperamos que as recomendações do relatório ajudem a criar maneiras de fazer intervenções e abordagens escolares e domiciliares para evitar que a ansiedade matemática se desenvolva em primeiro lugar”, diz Josh Hillman, diretor de educação da Nuffield Foundation.
Fonte: Crescer

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