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Ações antieducativas dos pais para com os filhos

Ações antieducativas dos pais para com os filhos

Você assume um papel de pai, mãe, educador ou adulto referência na vida de uma criança e deseja para a educação dela o que há de melhor. Não há perfeição nessa tarefa simplesmente porque não há perfeição no ser humano e ponto final. Mas se esquivar da responsabilidade de aprender sobre o que aquele ser que se educa precisa não é um ato de ignorância, mas de imprudência. Educar é uma ação de longo prazo, é semear no agora as bases estruturais da psique de um ser humano. É preciso que sejamos mais íntegros, comprometidos e amorosos nessa tarefa e foi pensando nisso que decide iniciar esse papo. Quais são as ações antieducativas que permeiam as relações familiares?

Em primeiro lugar eu estou chamando de ações antieducativas aquelas que geram um sentimento de menos valia nas crianças, aquelas que fragilizam a formação da personalidade e comprovadamente (através de inúmeras pesquisas longitudinais) atingem o desenvolvimento da confiança de um indivíduo. Pego emprestado esse termo da psicanalista infantil Françoise Dolto, especialista em problemas psicológicos envolvendo pais e filhos.

Tendo definido que ninguém é perfeito (e contemplando também nossos deslizes) eu começo agora um papo que te fará se identificar nas suas lutas e dúvidas, esperando que possa te confortar e trazer mais segurança dos caminhos escolhidos para educação dos seus filhos. Vamos lá?

Sobre bater: Bater é um tema recorrente e polarizado no Brasil. Alguns são defensores de que é direito dos pais, que levaram “palmadas” quando pequenos e se tornaram bons cidadãos de qualquer forma (por vezes até acreditando que o “bater” foi de ajuda nessa formação). Outros dirão que é uma agressão sem precedentes, que não se deve fazer isso com crianças e inclusive está garantida uma lei de proteção para que isso não aconteça. Se você leu o texto “Agressividade na infância” você já conhece um pouco da opinião dessa educadora que vos escreve, mas eu quero trazer um pouco mais de informações sobre esse assunto fundamentado em pesquisas (educadores tem que ter muita responsabilidade e não podem se dar ao luxo de ficarem pautados em achismos).

Bater em um sujeito menor e mais fraco que te considera referência de modelo de conduta é humilhá-lo. Humilhando-o você cria uma tendência de que a criança se sinta menos valorizada e por tanto menos confiante em si, além de aprender que uma forma de manifestar a raiva é a agressão. Você se sente irritado com que frequência? Qual a frequência e em que você escolhe a agressão física como solução plausível? Essa é a reflexão que tem que iniciar esse diálogo. Você pode dizer que “perdeu o controle”, “ficou muito irritado”, mas no mínimo terá que assumir que isso não tem relação com a “desobediência” da criança e sim com uma inabilidade de conduzir a situação. Não há problema em assumir uma irritação para uma criança e quando seu filho se irritar traga também leveza. Somos seres humanos, nos irritaremos em um momento ou outro. Ajudar a criança (e você mesmo, se me permite a dica) a expressar isso com palavras, tentando encontrar uma solução possível é sempre o melhor caminho.

Sobre subestimar a criança: Diálogo, diálogo e diálogo. Desde muito cedo há uma memória de tudo que se diz. Não subestime seu filho, se ele não entende tão bem o conteúdo do que você está dizendo ele com certeza entenderá o tom de voz e aprenderá que no diálogo nós conhecemos o outro, sua identidade, limites e necessidades.
Sobre deixar um bebê chorar sem atendê-lo: Não é certo partir do pressuposto de que o bebê estará sendo “mimado” se tiver seu choro atendido. Quando nós acolhemos o choro do bebê, quando o pegamos no colo e o embalamos, estamos ajudando o seu cérebro a modular aqueles estressores que foram liberados. O bebê não faz manha, ele se angustia. O bebê vai aprendendo a reconhecer aquele amparo, vai aprendendo que há algo que o ajuda a se estabilizar depois de um estresse e interiorizará esse ajuda até que não precise mais dela.

Sobre ameaçar a criança usando o cônjuge como “policial”: “Você vai ver quando mamãe/papai chegar”. Por quanto tempo você acha que essa criança vai querer continuar esperando a mamãe ou papai chegarem? Aquela angústia e culpa estragará todo tempo gasto juntos até que ela crie a ideia de que a presença do outro está relacionada com esse sentimento.

Tratar das birras com descaso: Nós humanizamos as crianças quando lhes ensinamos a lidarem com os proprios sentimentos. Ignorar, punir ou tratar com indiferença o que chamamos de birra é calar um pedido de ajuda. Quando a criança age de maneira agressiva, impaciente, angustiada ou irritadiça diante de uma situação é porque ela está pedindo ajuda para aprender a lidar com aquilo que está vivendo. Acredite: quando mais se atende ao chamado da criança durante a birra usando a conversa, um tom de voz tranquilizador e compaixão pela necessidade que está sendo manifestada, menos os episódios acontecerão e mais bem resolvido esse ser humano será.

É nossa responsabilidade, como adultos, entender e respeitar a infância. E nos apoiarmos e aprendermos no processo. Que seja leve, que seja prazeroso e que seja lúdico.
Fonte> Pais que educam

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