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38% das crianças com menos de 2 anos já têm um aparelho digital, como tablet ou celular

38% das crianças com menos de 2 anos já têm um aparelho digital, como tablet ou celular

A tecnologia digital e a internet fazem parte do nosso dia a dia e da rotina das crianças, é fato. E tudo indica que esse é um caminho sem volta. O que muda constantemente é a maneira como nos relacionamos com ela. À medida que os aparelhos evoluem, adquirem novas e mais complexas funções, nós nos adaptamos e criamos mais espaços para eles. As telas não são mais exclusividade das salas, invadiram outros ambientes da casa e boa parte dos dispositivos pode ser carregada para onde você for – o que, certamente, influenciou no tempo que gastamos com eles.

Tudo isso (e muito mais) foi observado em uma pesquisa exclusiva da CRESCER feita com pais e mães (com filhos de 0 a 8 anos), com foco no uso da tecnologia pelas crianças. Para mostrar quanto e como o consumo dos principais gadgets mudou, comparamos os últimos dados com uma pesquisa realizada em 2013, com 1.045 participantes com filhos na mesma faixa etária. Desta vez, no entanto, a amostra praticamente dobrou: foram 2.044 pais e mães.

Uma das conclusões foi que aumentou o tempo que meninos e meninas passam diante de algum tipo de tela – dos televisores aos smartphones. Hoje, 47% deles gastam mais de três horas com a atividade. Há cinco anos, o volume era de 35%. “Também chama a atenção o grande número de crianças que, com menos de 2 anos, já possuem algum dispositivo digital”, diz o neurologista infantojuvenil Marco Antônio Arruda, do Instituto Glia (SP), que analisou alguns dos dados da pesquisa. Segundo o estudo, 38% delas já têm um celular, tablet, computador, videogame ou TV – no passado, só 6% eram donas de um aparelho. Alguém se identifica?

Mas também há boas notícias. A pesquisa realizada em 2013 trazia um dado alarmante: 84% dos pais permitiam que seus filhos usassem algum dispositivo na hora de dormir ou comer. De lá para cá, felizmente, esse número caiu. Segundo o levantamento atual, apenas 37% dos respondentes recorrem ao recurso na mesa e 23% na hora de dormir. “Nos últimos anos, temos divulgado muitas orientações sobre os riscos desse tipo de comportamento”, diz a neuropediatra Liubiana Arantes de Araújo, presidente do Departamento de Desenvolvimento e Comportamento da Sociedade Brasileira de Pediatria. Os especialistas são categóricos quanto aos efeitos negativos. Aparelhos que emitem luz, como a TV, os tablets, os computadores ou os celulares, interferem na liberação da melatonina, o hormônio do sono. Quanto mais luminosidade, menor a secreção da substância, o que resulta em dificuldade para dormir. “Além disso, o conteúdo de alguns filmes e videogames deixa as crianças falsamente calmas durante a atividade e excitadas depois que os aparelhos são desligados”, complementa a pediatra Regina Maria Rodrigues, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas (SP).

Já na hora da refeição, o problema não é químico, mas comportamental. E tem também efeitos graves. Crianças que têm por hábito comer assistindo a desenhos estão mais predispostas a apresentar disfunções alimentares, como obesidade. “Entretida com a tela, a criança não presta atenção no que está comendo, não percebe os sabores e, muitas vezes, nem se dá conta de que está ou não saciada”, afirma Regina. Além disso, as refeições são momentos de convivência familiar e, na mesa, os gadgets podem atrapalhar a interação. Que tal, nessa hora, colocar o aparelho para carregar?

Fonte: Crescer

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